Esse
texto é, também, pra quem diz que machismo não existe mais só porque o
movimento das mulheres obteve algumas conquistas como o direito ao voto, à
escolaridade e ao ingresso no mercado de trabalho. Pra quem diz que machismo
não existe, mas chama a professora de “mal comida”, expõe a ex-namorada ou
qualquer outra menina que tenha tirado uma foto de seu corpo, hipersexualiza o
uniforme das normalistas, exclui a companheira do grêmio estudantil ou de outra
entidade por causa do número relacionamentos que ela tem ou teve, agride
verbal, moral e/ou fisicamente alguma companheira, diz que futebol não é “coisa
de mulher” e dá apelidos criados com a intenção de ofender mulheres sexualmente
livres. Esse texto também é pra quem vê tudo isso acontecer e zomba das
mulheres ou se cala achando que de nada vai adiantar um grito de indignação
contra o machismo.
Crescemos
aprendendo a naturalizar qualquer tipo de violência contra a mulher ou de estereotipação
de gênero, e é por isso que muita gente não problematiza mais as coisas que
acontecem a nossa volta e acham exagero quando apontamos machismo em algumas
situações. E é para tornar o sexismo uma coisa cada vez menos natural aos olhos
de todos que temos que apontar e denunciar o machismo sempre que o mesmo se
fizer presente.
É
machismo responsabilizar as mulheres pelo trabalho doméstico. É machismo dizer
que homens são mais racionais e mulheres mais emocionais. É machismo negar o
direito de uma mulher à participação política. É por isso que devemos garantir
o espaço das mulheres dentro das entidades estudantis. Para garantir que elas
mesmo lutem pelas pautas que são específicas das mulheres. Hoje a estudante e a
trabalhadora são assediadas nos transportes coletivos e são culpabilizadas por
isso. A luta das mulheres não pode, por isso, esquecer e ignorar a luta dos
estudantes e a luta sindical.
Nós,
mulheres estudantes, precisamos nos organizar dentro do movimento estudantil também
como unidade. Precisamos conquistar o passe livre e não ter medo de usar o
transporte coletivo. Precisamos conquistar o acesso à educação pública, de
qualidade e libertadora, e por isso, necessariamente, livre do machismo ou
qualquer outro preconceito. Precisamos lutar contra a criminalização dos
movimentos sociais e precisamos lutar para não sermos silenciadas dentro deles
por sermos mulheres.
A
luta da mulher é dobrada. Por isso precisamos de força, resistência e
combatividade em dobro.
Rafaela Corrêa
Secretária Geral da AERJ
Movimento Feminino da Região dos Lagos
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