"Banheiro errado, estudante"

By | 08:30:00 Leave a Comment
           Talvez, essa seja a frase que mais se ouça na vida escolar de um adolescente do meio lgbt, a negação de sua identidade de gênero e opressão de sua sexualidade começa antes que a pessoa mesmo se descubra. A imposição de regras rígidas e, peno em dizer, exclusivas somente para nós lgbts, se inicia com a junção de uma grande perseguição que tem como protagonistas alunos da nossa própria classe, e nas piores situações, quem devia nos representar e auxiliar na estadia escolar: inspetores, coordenadores e diretores. Qualquer funcionário pode passar de protetor à repressor. 

       O que devemos começar a diferenciar é a implicância pessoal do preconceito que leva a lgbtfobia, quando a "brincadeira de criança" passa a ser perseguição fervorosa por um motivo claro e eminente, muitas vezes é ignorado e isolado como a velha história do vitimismo. O fato é que o mal deveria ser cortado, ou melhor, educado desda raiz. São diversas vertentes de uma mesma árvore, a chamada Sociedade­ machista­ patriarcal. Em casos graves que levam a agressões e expulsões aos alunos, dificilmente se tem quem admite a lgbtfobia. 

       Por tanto mal estar e desconforto que se sofre dentro de um ambiente que foi feito para nos educar e preparar, muitos de nós largam os estudos. O medo nos domina, e muita das vezes não há para qual lado correr. Em sua maioria transsexuais que tem fortemente sua identidade negada, e sem o apoio da família até mesmo para denunciar a escola, acabam largando os estudos e caindo no ciclo da prostituição ou na subclasse de trabalhadores que o capitalismo separou para "nunca sair do lugar". O descaso é tanto que é tratado com indiferença e jogado para debaixo do tapete com a frase "É só uma brincadeira entre jovens.". O perigo mora no comodismo. 

       Como se já não bastasse a forte perseguição dos alunos respaldados em preconceito machista e lgbtfóbico, existem inspetores que são instruidos por diretores a "ficarem de olho" em alunos homossexuais pelo fato de entrarem no banheiro com seus namorados, ou simplesmente por entrarem no banheiro, ou estarem próximos demais dos amigxs do mesmo sexo. Quem nunca se viu numa situação em que todos os olhos se voltaram a você enquanto o "casal da sala 4" estava se agarrando no corredor? 

       Precisamos ficar atentos a diferença entre normas escolares e preconceito disfarçado em regras. Não podemos nos dar por vencidos, muito menos estamos sozinhos. Reagir é a chave, procure a direção da escola o mais rápido possivel, ou o próprio movimento estudantil para abraçar a causa nos casos de lgbtfobia na direção da escola. Nenhum passo atrás! Revolte­-se, rebele­-se!


Juliana Cañellas
Militante da AERJ
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: