NOTA DA AERJ CONTRA A EXPOSIÇÃO DE FOTOS ÍNTIMAS SEM O CONSENTIMENTO DA PESSOA FOTOGRAFADA!

By | 13:18:00 Leave a Comment
                O vazamento de fotos íntimas tem sido um mecanismo muito usado para ridicularizar e se vingar outra pessoa. Os alvos são em sua grande maioria mulheres. Mulheres que confiaram sua imagem a alguém e que não autorizaram que aquela foto fosse publicada em redes sociais ou espalhada para outras pessoas. A AERJ - Associação dos Estudantes do Estado do Rio de Janeiro se posiciona contra esse tipo de exposição e viemos por meio deste post explicar porquê e como devemos combater esse tipo de exposição.

1) Não é porque alguém te mandou uma foto que você ganhou o direito de divulgar essa foto. 

Talvez este seja o ponto que as pessoas, no geral, tenham maior dificuldade para entender e aceitar. Vamos supor que uma menina tenha enviado uma foto íntima para seu namorado. Ele tem o direito de divulgar essa foto? Exatamente: não. A pessoa fotografada ainda vai ser ela e portanto esta menina ainda é quem pode escolher quem verá ou não a foto em questão. Entender isso é extremamente importante para que possamos culpar a pessoa certa pelo vazamento das fotos íntimas. Muitos ainda reproduzem aquele velho discurso que culpa a menina que enviou a foto, como se o vazamento fosse uma consequência direta disso. E não é. Enviar uma foto não quer dizer que você está consentindo com o vazamento dela, nem que você concorda que outras pessoas senão o destinatário em questão vejam essa foto. A culpa pelo vazamento é de quem vazou sabendo que a pessoa exposta não estava de acordo com a postagem de sua foto.

2) Vazar fotos íntimas de garotas para ridicularizá-las e fazer com que elas se sintam mal é MACHISMO! 

Pode parecer óbvio, mas ainda existem pessoas que vazam e depois dizem que não são machistas - como se o machismo fosse unicamente agressão física à mulheres. Então decidimos explicar. O machismo pode se mostrar de diversas formas na nossa sociedade. Existem vários níveis de machismo, que vão desde a questão econômica, passando pelos assédios e discursos machistas que já são naturalizados e vão até as agressões, sejam elas morais, físicas ou psicológicas. Vazar fotos íntimas é reafirmar que uma mulher deve ter vergonha de ter uma vida sexual ativa, de gostar/querer ter relações sexuais e mais: ter vergonha de seu próprio corpo. Além disso é uma forma de violência psicológica que pode causar danos sérios a saúde psicológica da vítima e até mesmo estimular o suicídio da mesma.

3) "Mas por que manda foto? Qual a graça nisso?" Porque ela quis, isso não é o ponto principal da discussão.

Essas perguntas são maneiras de deslocar a culpa para a última pessoa que pode ser culpada pela violência sofrida. Ela mandou porque ela quis, porque ela confiou na pessoa que estava recebendo aquela imagem. Isso não justifica a exposição. A culpa nunca é da vítima.

4) O que podemos fazer para combater essa violência? 

Caso você tome conhecimento de casos do tipo, a primeira coisa a se fazer é denunciar o conteúdo para a rede social em que este foi postado. Se a pessoa que expôs o conteúdo for conhecida, converse com ele e mostre que ele está errado, porque todos temos certeza de que a vítima não vai estar nem um pouco confortável para ter essa discussão com a pessoa que a violentou psicologicamente. Outros meios de denúncia são o Safernet (http://new.safernet.org.br/denuncie) e o site da polícia federal, onde existe um link para denúncias de crimes na internet (http://www.dpf.gov.br/servicos/fale-conosco/denuncias). A longo prazo, para evitar que ocorram outros casos de exposição, você pode ajudar a conscientizar as pessoas de que isso é errado e que é um crime! Isso pode (e deve) ser feito por meio da internet, de conversas, palestras, etc. A AERJ se disponibiliza para ir nas escolas e fazer esse debate com os estudantes e a ocupar todos os espaços de luta contra o vazamento de fotos íntimas e contra o machismo! É pelas estudantes, é pela vida das mulheres! 


5) Nos solidarizamos com as vítimas desse tipo de violência e lutamos ao lado delas.

Nós, enquanto uma entidade estudantil composta em grande parte por mulheres que estão todos os dias lutando contra o machismo, compreendemos a atual situação das mulheres no Brasil e no mundo. E sabemos que estas, como um grupo oprimido, estão expostas a vários tipo de violência, o que inclui a violência virtual que afeta tragicamente a vida de mulheres. Por isso, nos solidarizamos enquanto entidade e enquanto indivíduos e nos colocamos à disposição para ajudar as vítimas do machismo. A violência não pode continuar! Vamos nos ajudar. Vamos à luta.


Rafaela Corrêa
Secretária Geral da AERJ


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