Por um Rio de direitos!

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              Vivemos numa sociedade onde a cidade é tratada como uma das maiores de todas as mercadorias. Hoje o direito de ir e vir é caríssimo e é o primeiro estágio para o reles mortal ter acesso a sua cidade e ao que ela pode lhe acrescentar. Passando os altos preços das tarifas esbarramos nos altíssimos preços dos alimentos, entradas de cinema, teatros e etc. Segundo cálculos de pesquisa do IBGE que diz que menos de 18% de brasileiros vão ao cinema todo mês, menos de 8 % dos brasileiros vão ao teatro todo mês e o numero de brasileiros que tem acesso a outros tipos de atividades culturais como shows, apresentações de dança e etc. não chega a 6%. Hoje a exclusão cultural principalmente nas periferias é esmagadora. A cultura sempre teve um papel muito importante na sociedade, principalmente entre a juventude, lembremo-nos do CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes) que dele participaram grandes nomes da esquerda revolucionária brasileira que foram lutadores que combateram a ditadura militar como Manoel Lisboa, Vianinha entre outros. 
              Marx dizia que “O Estado é o balcão de negócios da Burguesia”. Hoje podemos dizer que, além disso, a “Cidade é o balcão de negócios dos empresários”. Hoje o empresariado privatiza e capitaliza tudo, temos como exemplo de privatização o Maracanã no Rio de Janeiro e o ataque a meia-entrada cultural dos estudantes, que os tubarões da cultura querem a todo custo restringir a 40% das sessões de cinema e, além disso, o Governo Federal e setores que deveriam defender os direitos dos estudantes brasileiros estão defendendo esse corte no direito da juventude. E quando aparecem iniciativas populares de levar cultura a lugares “públicos” o estado não poupa esforços em criminalizar essas ações, exemplo disso é a proibição de artistas e músicos amadores se apresentarem nas praças e metrôs do Rio de Janeiro e do forte aparato policial destinado para cercar os festivais culturais, sarais de poesias, duelos de MCs. 
              A questão do tipo de cidade que desejamos está extremamente ligada ao tipo de pessoas que podemos ser na sociedade que nos está dada. Na sociedade capitalista onde pais e mães de famílias trabalham cada vez mais para conseguir aumentar condições de suas vidas e sustento e só se esbarram com aumentos de tarifas e da inflação, fica evidente que empresários e corruptos servem como sanguessuga do povo. Hoje a segregação da cidade é clara, basta olhar a quantidades de negros nas áreas nobres do Rio de Janeiro e a quantidade de negros em qualquer favela carioca. Não podemos viver numa sociedade onde o acesso à cidade se limite ao horário de trabalho e que as cidades metropolitanas mais distantes da capital são denominadas “cidades dormitórios”, porque de fato parte esmagadora dos trabalhadores que durante o dia se esgotam nas grandes capitais não residem nas mesmas. Outro calculo intrigante é que o número de pessoas que dormem nas ruas sobe mais de 54% em dias de semana, isso é causado claramente pelo alto valor das tarifas de transporte, alto preço dos alimentos, pois já se tornou mais do que caro viver no Rio de Janeiro, logo que um morador da Baixada Fluminense gasta por volta de R$90,00 por semana só em tarifas de transporte para vir pra capital, organizados pelos setores populares, não patrocinados e às vezes até auto-organizados. 
              O direito a cidade não é apenas um direito condicional a acesso aquilo que já existe, mais sim um direito a construir uma cidade diferente, de forma-la de acordo com nossas necessidades coletivas. Precisamos construir um novo modelo de cidade e de sociedade onde todos tenham acesso ao que constroem e que ninguém seja excluído socialmente pela sua cor ou condição financeira. A cidade é o “mundo” que o homem criou com o seu suor e quando esses mesmos homens não deleitam do que a cidade pode lhes dar, tem muita coisa errada. Se nosso mundo urbano foi imaginado e feito ele pode ser reimaginado e refeito. 
              Por isso nós da AERJ temos como uma das pautas principais o Passe Livre para os estudantes de todo o Rio de Janeiro para que a juventude carioca possa usar todos os meios de transporte em qualquer dia da semana para ter acesso a cultura, lazer que o Rio de Janeiro pode proporcionar entendendo que a maioria esmagadora dos aparelhos culturais da cidade hoje se concentram na capital do Rio e tem o valor dos ingressos com um preço absurdo. O único aparelho cultural que é liberado a toda a hora do dia e a qualquer um sem “nenhum” custo é a praia e mesmo assim os preços de tudo que consumimos seja comidas, bebidas ou coisas do gênero quase dobram de preço assim que pisamos na areia. 
              A luta precisa ser por uma cidade de direitos e que toda juventude e o povo do Rio de Janeiro possa entender o porque do Rio de Janeiro ser a Cidade Maravilhosa. 


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