Em Defesa da Petrobras e da Educação Pública!

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               Não é novidade que a direita brasileira serve de caixa de ressonância dos desejos imperialistas estrangeiros no país. Para eles a palavra de ordem sempre foi a privatização e o entreguismo do patrimônio público e das riquezas nacionais para as mãos sujas dos países centrais. Não é por acaso que quando a direita esteve no poder não hesitou em leiloar o Estado brasileiro quase que por completo, foram-se importantes bancos estatais, foi-se a Telebrás, a lucrativa e estratégica Companhia Vale do Rio Doce e tantas outras empresas vitais vendidas a preço de banana para o lucro dos capitalistas e dos associados ao governo que - ao que tudo indica – fizeram das privatizações sujas negociatas para o enriquecimento pessoal.

               Os governos Lula e Dilma não romperam estruturalmente com essa lógica, principalmente no que tange à Petrobras. Se o plano dos tucanos era privatiza-la por completo, o PT aposta no desmonte feito “a banho Maria”. As terceirizações de serviços são endêmicas: o que antes era oferecido pelas subsidiárias da estatal, hoje é licitado e oferecido por empresas privadas enxugando empregos públicos, o controle do Estado sobre a cadeia produtiva do petróleo - que é assunto de segurança nacional tendo em vista que qualquer variação do preço de produção, seja causado por flutuações do mercado ou por boicote das transnacionais, afeta a economia do país drasticamente - e expõem a classe petroleira às condições degradantes de trabalho do setor privado, como exemplo o triste acidente no navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus operado pela multinacional norueguesa BW Offshore que deixou 3 mortos e 10 feridos. A embarcação era irregular e mesmo assim prestava serviço à Petrobras. Além das terceirizações, o governo continua vendendo nosso tão alardeado Pré-Sal às empresas privadas e não reestabeleceu o monopólio da exploração petrolífera quebrado pelo PSDB, seu suposto antagonista no espectro político.

               E de que forma a defesa da Petrobrás também é a defesa da educação pública? Assim como o petróleo, o sistema de ensino público brasileiro sofre enormes pressões dos capitalistas para a privatização da educação, o que já vem acontecendo em certa medida com programas como o PRONATEC e PROUNI. A defesa da Petrobras é a defesa do patrimônio público que é do povo brasileiro e deve servir a ele. Além disso, partes das verbas da educação vêm do Fundo de Ciência e Tecnologia composto por rendimentos da produção. Privatizar a Petrobras significa afetar os repasses e submete-los à política de preços que as empresas privadas operam e não a uma política de Estado que seja racional.

               Seria ingenuidade pensar que a educação ficaria desamparada sem os repasses do petróleo, muito pelo contrário, haveria várias entidades privadas dispostas a assumir esse compromisso que pode ser muito lucrativo. Além dos grupos nacionais e internacionais que se articulam para inserirem-se nas políticas públicas, entidades como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento oferecem empréstimos para países qualificarem sua força de trabalho, tudo à moda neoliberal. Se hoje a educação caminha péssima, com eles seria muito pior. A adoção de sistemas de avaliação como o PISA (que hoje é representado pelo IDEB) são nocivos ao ensino por considera-lo somente como algo instrumental e não sua amplitude de significados, tudo para garantir a “produtividade da escola” como bem querem os capitalistas acostumados a lidar com as indústrias e com os capitais. A ordem é obter o menor custo possível para formar o maior número de pessoas.

               É preciso limpar a Petrobras dos corruptos que fizeram dela um balcão de negócio do governo para comprar votações parlamentares, mais um sintoma do óbito da nossa raquítica democracia. É imprescindível que a Petrobras passe a funcionar para o povo, seja 100% pública e esteja sob controle social e não no controle de acionistas ou políticos do partido do governo (seja ele qual for).

               A luta recebe significado mais amplo dado a conjuntura de ataques que o funcionalismo público recebe do governo federal. Vamos barrar o desmonte da Petrobras pela soberania nacional, pelos servidores públicos e pela educação pública!

Felipe SantosDiretor de Políticas Institucionais do Grêmio Síntese - IFF Cabo Frio


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