25/11 - Dia Internacional Contra a Violência Contra as Mulheres

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Hoje não é dia de comemoração. Hoje não é dia de se imaginar num mar de rosas. Hoje não é dia de fazer carinho na companheira e ignorar completamente o que se passa no resto do ano e da vida dessa mulher. Hoje não é dia de dizer que não merecemos apanhar porque somos o “sexo frágil” – não o somos.
Hoje é dia de refletir sobre como anda atualmente a vida das mulheres dentro de casa, na rua, no ambiente de trabalho, na escola, na universidade e/ou nos transportes coletivos. O Dia Contra a Violência Contra as Mulheres se fez necessário para causar essa reflexão sobre a situação das mulheres na sociedade atual. Na sociedade que nos chama de frágil, mas nos explora no trabalho e em casa, que nos diz que a culpa do número de estupros é da nossa roupa curta, mas legitima nosso estupro até mesmo quando usamos burcas, não saímos de casa ou somos crianças usando pijamas de ursinho.
Muitas(os) de nós vemos todos os dias essa sociedade machista e opressora se manifestando em quase todos os espaços. A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil e 1 em cada 4 mulheres sofrem violência doméstica, ainda durante esse ano de 2014 o número de mulheres que foram encoxadas nos transportes públicos foi assustador, eram formados grupos para a divulgação desse tipo de abuso sexual em que os abusadores se gabavam e detalhavam a violência. E não acaba por aí, basta jogar “mulher foi agredida por ciúme” no google para percebermos a gravidade da coisa.
Enfim, hoje - especialmente hoje, mas também todos os outros dias do ano - vamos lembrar de cada silenciamento, cada vez que uma mulher foi ridicularizada em público por a acharem menos inteligente ou capaz que um homem, vamos lembrar e levantar nossas vozes contra cada um dos tapas, socos, chutes, empurrões e puxões de cabelo que cada mulher já levou. Vamos lembrar de cada mulher assassinada pelo namorado/marido que nutria um sentimento de posse por essa e não vamos nos calar. Vamos olhar e sentir muito por cada violência que cada uma já sofreu, seja ela moral, psicológica, emocional ou física.  
Vamos apontar machismo onde ele estiver, mesmo que ele esteja em todos os espaços, pois cansaço não faz parte do nosso dicionário. Porque se esse discurso preconceituoso de que somos mais fracas e por isso necessariamente submissas, que faz com que tanta gente não entenda que nós devemos ter os mesmos direitos e devemos ser vistas como pessoas tão capazes quanto os homens, está se repetindo, não devemos pensar duas vezes antes de nos unir contra essa injustiça. Não devemos nos cansar.
Que hoje e pelo resto das nossas vidas cada um(a) de nós procure saber quem das mulheres a sua volta já sofreu violência de gênero (existe alguma, pode ter certeza) e converse com essa pessoa para que ela se organize na luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

Moça, você não é a primeira e nem a última pessoa a sofrer com violência de gênero. Nós somos várias. E já que existe uma mesma coisa que nos fere, que isso sirva para nos unir. 


Mulheres, organizem-se, lutem.




Rafaela Corrêa
Secretária Geral da AERJ
Militante do Movimento de Mulheres da Região dos Lagos / Diretora
Social do Grêmio Estudantil Síntese – IF Fluminense Campus Cabo Frio
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