20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

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            “Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Mina, Quiloa, Rebolo...” citou o poeta Jorge Ben Jor, quando fez uma música homenageando o ilustre líder do quilombo dos palmares, Zumbi. Ele se refere aos países que tiveram seus jovens ceifados pelo tráfico de escravos para serem desumanizados no Brasil colonial.
            Durante séculos vimos e ouvimos os processos de exclusão das negras e dos negros no desenvolvimento do Brasil, mesmo sabendo, e sim, nós sabemos, que o negro é o Brasil. O negro é a cultura brasileira, o negro é a legislação brasileira, o negro é a história brasileira. Mas apesar de toda notável insistência em negar isso, hoje somos constrangidos pela memória de toda a nossa luta a repensar a importância da população negra.
            Basta uma simples observação em um panorama social sincero do Brasil para notar que não é coincidência que, por exemplo, 77% dos jovens vitimados pela violência policial são negros. E admitir isso como normal ou aceitável é negar que o racismo dita os métodos usados por um estado corrupto e fascista para controlar a voz da negra e do negro. E não, não devemos somente ter voz no dia 20 de novembro, mas sim todos os dias. Cada vez que um deputado se levantar no congresso contra um projeto de inclusão, seja da cota, seja um projeto político-pedagógico para inserir a história da cultura Iorubá nas escolas, como nós temos visto, devemos levantar a nossa voz e dizer pra o Brasil:

“Andando na rua de noite muita gente branca já fugiu de mim
A minha ameaça não carrega bala mas incomoda o meu vizinho
O imaginário dessa gente dita brasileira é torto
Grita pela minha pele qual será o meu fim
Eu não compactuo com esse jogo sujo
Grito mais alto ainda e denuncio esse mundo imundo
A minha voz transcende a minha envergadura
Conhece a carne fraca?
Eu sou do tipo carne dura”
                        (OLÉRIA, Ellen)

            A alma dos nossos ancestrais gritam pela resistência, nas senzalas, que até hoje, mantido por discursos minimamente assassinos em torno de lógicas racistas, se perpetuam nas favelas.
            Temos que nos atentar, polarizar as discussões e debater a questão sem medo de tabus, por que não é uma questão que possa ser deixado pra depois. Contudo, o racismo está aí, e ainda com um teor de argumentação arcaico, como era quando se apresentou à sociedade o “racismo científico” no século XVII. Podemos concluir que o racismo pertence a uma lógica repleta de lacunas da banal necessidade do ser humano de hierarquizar a sociedade. Uma ideologia condenada ao fracasso desde o seu nascedouro.
            Temos que nos apegar às palavras de Mandela, de Luther King, Mokota Valdina, Zumbi, e gritar para o mundo que sempre foi a hora do basta, pois não importa a cor da pele, a origem, o credo, a roupa, somos todos brasileiros e esperamos ansiosamente, através da resistência o dia em que o “Brazil” conheça o Brasil, e que finalmente saibam que “a verdade é que você tem sangue crioulo”.


                                                                                 (João Pedro Cabral) Diretor de escolas Federais                                                                             da AERJ e coordenador do Grêmio Lucimar                                                                                  Brandão (Colégio Pedro II- campus Centro)



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