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AERJ REALIZA SEMINÁRIO DE GESTÃO DE 3 DIAS


 Nos dias 20, 21 e 22 de Janeiro de 2017, se reuniram na sede da ASFOC – SN na Fiocruz, mais de 60 estudantes de várias regiões do estado para debater os métodos de atuação do movimento estudantil. Nesse seminário de gestão, após diversos debates, concluiu-se a necessidade de alcançar as pautas de cada estudante desse estado, fazendo assim, com que ele se sinta representado e queira construir a AERJ.

Sabemos que teremos um ano de muitos ataques, entre eles: Reforma da Previdência, Reformulação do Ensino Médio e PL da mordaça, mas podemos dizer também, que faremos um grande enfrentamento a isso com muita mobilização coletiva, organização e rebeldia nas ruas até barrar esses projetos que só visam o lucro dos empresários enquanto acham que calam os estudantes. Além disso, nossa sede tem que ser um espaço ocupado por cultura, debates e muita atividade política, para ser a casa dos estudantes do Rio de Janeiro, que estavam sem esse espaço desde o incêndio criminoso na sede da UNE na época da ditadura militar.



Por fim, a militância da AERJ se propõe a construir um movimento criativo, feito no chão da sala de aula e presente nas ruas com muita combatividade, pra barrar a retirada de direitos e conquistar a escola que queremos!


"A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto."
Darcy Ribeiro disse essa frase em 1977, momento em que voltava do exílio à que tinha sido mandado pela ditadura militar e o país ainda vivia um período ditatorial. 
Quase 40 anos e um golpe depois, a frase ainda é atual.
A estratégia dos governos, sobretudo a do ilegítimo governo Temer, é simples: a educação pública é sucateada, a privada é enaltecida, até que a solução óbvia pareça a privatização.
E à quem serve essa privatização?
O Ministério da Educação, sob o governo de Mendonça Filho, publicou recentemente um ranking de acordo com as médias do Enem por escola em 2015. Das 100 escolas, 97 eram privadas.
Mas não eram privadas só porque o ensino público é sucateado, mas também porque o MEC publicou esse ranking sem incluir os Institutos Federais, que ocupam geralmente os primeiros lugares.

No meio desse cenário, as propostas recentes desse governo para a educação surgem coincidentemente ou não como uma aparente solução.
A omissão da posição dos IFs deixa claro uma coisa: com investimentos e recursos, é possível uma educação melhor, e não deixar que saibam disso é conveniente pra quem lucra com o modelo privado.
Enquanto os alunos das escolas ao redor do país no primeiro semestre de 2016, principalmente nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, ocupavam suas escolas pra reivindicar recursos básicos como comida e infraestrutura, e enquanto os professores da rede estadual do Rio e da rede municipal de diversas cidades não recebiam seus pagamentos em dia e se organizavam em greves e manifestações, a Kroton, empresa que atua no setor da educação, lucrou mais de R$1,39 bilhões em 2015.

Esse processo serve pra sustentar uma lógica em que o lucro de poucos é o objetivo principal, ainda e principalmente se ele for gerado em conjunto à desumanização de muitos no ambiente escolar.

Uma das profissões com maior índice de suicídio é a profissão de professor e o grupo que mais se suicida no geral na sociedade brasileira é o grupo de jovens até 19 anos. Professor e aluno, portanto.

Isso tudo porque num ambiente em que o foco é entrar no funil do vestibular, o que é humano não cabe. E esses ambientes superlotados, somado às condições salariais e aos abusos à que os professores são submetidos, são os ambientes mais propícios pro desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade por parte desses trabalhadores.

Além disso, a pressão em relação ao convívio social e à necessidade de fazer escolhas muito importantes quando muito jovens, juntamente da noção deturpada e elitizada de que ter graduação é sinônimo de "ser alguém" (ainda que, no Brasil, saiam mais trabalhadores do ensino médio do que das universidades), e tudo isso enquanto as dificuldades e especificidades são ignoradas, cria ambientes em que o desenvolvimento humano e os afetos estão em segundo plano. É compreensível e óbvio que esses jovens também estejam deprimidos.

Dentre eles, duas das causas compreendidas como as mais comuns pra depressão são questões relacionadas à gênero e sexualidade. 

Num país em que propostas como a do Escola sem Partido ganham força, visando tirar da escola a responsabilidade do ensinamento crítico e pretendendo boicotar o ensino de quaisquer matérias que fujam de uma lógica teocentrada, como evolucionismo, o tão urgente debate sobre gênero é uma realidade ainda mais distante.

Se posicionar a favor dessa ótica privatizadora é fechar os olhos pra realidade do adolescente sem o direito de sonhar e viver.

A crise da imposição da vontade das elites em detrimento dos direitos populares não é uma crise, é um projeto. E um projeto alienante e anti-democrático.

Julia Vilhena

A aprovação da PEC 241 na câmara deixou mais claro ainda a quem serve o governo de Temer e Mendonça: aos empresários e banqueiros. Enquanto vemos essa medida que congela e reduz os investimentos na educação e saúde, diminuindo salários, cortando bolsas, acabando com o investimento em infra-estrutura e causando uma catástrofe no país com o aumento do desemprego, do outro lado vemos a permanência da intocável dívida pública dos banqueiros, quase um trilhão de reais por ano, ou seja, 42% do orçamento da União. Além disso, a grande parte dos apoiadores dessa medida não passam de corruptos que atuam em prol de seus enriquecimentos e de manutenção dos privilégios da classe dos ricos e poderosos. A reforma do Ensino Médio, divulgada sem consultar os estudantes e professores, é outro ataque ao modelo de educação pública e questionadora que a AERJ defende. Ao invés de mais debate e interação das disciplinas com o pensamento crítico, Temer e Mendonça querem tornar as escolas verdadeiras fábricas onde o estudante vai se tornar mão de obra barata e a profissão de professor vai virar um bico. Por fim, o nefasto projeto Escola sem Partido, apresentado pelo Alexandre Frota, é a mordaça pra calar todo mundo na escola e até mesmo prender quem quer lutar pelos seus direitos, formando a escola do pensamento único.
É nesse momento que devemos ir para cada escola, sala de aula, para mobilizar os estudantes para grandes atos e para o Congresso da AERJ, afim de virar do avesso esse Estado! Não teremos um dia sem luta para dar resposta a esses ataques. A fórmula certa do ensino médio será Estudante + Luta = Vitória, a escola tem que ser sem mordaça e pra barrar a PEC 241 do congelamento, vamos botar fogo nas ruas por todos os cantos do Rio de Janeiro!
Fora Temer e Fora Mendonça!
 Nesse sábado, 17 de Setembro, ocorreu uma reunião entre professores, ex alunos e estudantes para falarmos da situação do Colégio. No primeiro momento a fala foi dos professores com o intuito de formar uma associação de ex alunos. No segundo momento tivemos depoimentos de ex-alunos e da mãe representante do Colégio que contaram a importância que a luta teve e continua tendo na vida das pessoas e reforçando o pedido que o grêmio fez, que os alunos continuem lutando pelos seus direitos. A luta não acaba agora porque ainda precisamos garantir o espaço próprio pro Colégio, que hoje funciona dentro do Cefet Maria da Graça, mesmo tendo espaço próprio em Bonsucesso. O problema é que o governo do Estado não reforma o local próprio do Colégio em Bonsucesso e enquanto isso resistimos nessa estrutura de hoje e lutaremos pra garantir nosso próprio colégio!
                   Atualmente estamos vivendo uma crise de representatividade política muito grande entre os trabalhadores e estudantes. A realidade é que pouco nos sentimos representados pelos partidos que vêm disputando as eleições nos últimos anos. Isso porque muito prometem e pouco cumprem. No entanto, ao invés de fomentar a participação política popular a fim de permitir que o povo faça sua própria política, alguns setores hipócritas da política se aproveitam disso para lançar o projeto de lei “escola sem partido”, sabendo que com esse nome pode ganhar apoio dos mais desacreditados em organização política e enganar a muitos. Mas não nós.

                   O projeto de lei escola sem partido significa na prática a criminalização de opiniões políticas contrárias a opinião dos que dominam a política hoje com seus malotes de dinheiro e a criminalização do direito de organização. Ninguém é obrigado a se organizar em nenhum partido, ninguém é obrigado a pensar igual a ninguém, mas precisamos ter espaço para debater, senão ficaremos sempre presos a ouvir a opinião de quem tem a máquina na mão.

                   Essa lei não significa efetivamente não fazer política na escola. Isso seria impossível, já que a administração de uma escola e a convivência e aprendizado são atos políticos por sua natureza. Significa não poder contestar em caso de discordância, com medo de ser acusado de romper com essa lei.

                   O direito de organização e o direito de expressão são direitos que foram conquistados com muita luta, muito suor e muito sangue de quem lutou contra a ditadura e esse tipo de lei. Já calaram nossa voz antes e para podermos falar novamente tivemos que ver vários companheiros dessa luta pela educação e por uma sociedade diferente morrerem, serem torturados e outras barbaridades defendidas pelos conservadores no nosso país.

                   A história se repete e por isso precisamos nos organizar desde já para barrar esse projeto de lei. Não à censura! Pelo livre direito de organização e de expressão!

Rafaela Corrêa
Secretária Geral da AERJ





O Estado do Rio de Janeiro desde 1º de janeiro de 2003 é governado pelo PMDB. O ciclo começa com Rosinha Garotinho (hoje no PR) passando a bola para Sérgio Cabral, que assume o Palácio Guanabara em 1º de janeiro de 2007 até o dia três de abril de 2014, onde entrega a cadeira para seu Vice Governador, também do PMDB, Luiz Fernando Pezão, que em seguida é eleito Governador para o mandato 2015/2018. Em 28 de março de 2016 esse ciclo é “interrompido” por problemas de saúde de Pezão, que entra de licença, assumindo seu Vice, Francisco Dorneles, do PP, porém, com a mesma política econômica de todos os governos do PMDB, governar para os ricos!

No dia 17 de junho de 2016 um fato histórico acontece no Estado do Rio de Janeiro. O Governador interino Francisco Dorneles decreta “Estado de Calamidade Pública”. Um fato nunca acontecido na história do Rio. Esse decreto tem como justificativa a falta de dinheiro do Estado para pagar serviços públicos básicos como educação, saúde, segurança pública e previdência. Importante lembrar que desde 17 de março acontece uma greve geral dos servidores da educação (ensino médio, ensino técnico e universidades estaduais) do Estado do Rio de Janeiro. Porém, o fato dos aposentados e funcionários do Estado não receberem seus salários fica abafado nas vozes de Dorneles, pois o Rio de Janeiro está prestes a receber um evento mundial, as Olimpíadas e as Paraolimpíadas, e o Estado não tem recursos para concluir as obras do mega evento. Claro, para o governo, que isso não pode acontecer. Porém, as famílias dos servidores podem ficar sem comida na mesa e as contas de luz e água podem ficar meses atrasadas.

Falando em contas, importante lembrar que durante o reinado do PMDB no Rio de Janeiro, empreiteiras, empresas de ônibus, joalherias, a Super Via, entre outras, receberam isenção fiscal de mais de 128 bilhões de reais do Estado. Dinheiro que pagaria o salário de todos os servidores públicos do Estado por 6 anos. Além disso, Sérgio Cabral e Pezão também foram alvos da delação premiada de Paulo Roberto Costa (ex-Diretor de Abastecimento da Petrobrás) na operação Lava Jato. Paulo Roberto os acusa de receber mais de R$ 30 milhões de “caixa dois” para a campanha de Pezão.

O governo do PMDB também foi protagonista de episódios marcantes na sua gestão. Considerado o governo de Estado com maior rejeição no período das jornadas de junho de 2013, o movimento “Fora Cabral” tomou repercussões nacionais ocasionando inclusive acampamentos em frente à casa do ex-governador. Outro fato importante é que Pezão foi eleito com um número de votos nulos maior que o seu quantitativo de votos validos. Além disso, o número de greves de setores essenciais foi gritante, destacando as greves da educação e o movimento SOS Bombeiro. Sérgio Cabral também foi o governador que entregou o Maracanã de mãos beijadas para Eike Batista e quem aplicou a política de higienização das favelas cariocas para a Copa do Mundo através das UPPs.

O desgoverno do PMDB não é de hoje. Cabral e Pezão faliram o Rio de Janeiro e encheram seus bolsos e dos empresários de dinheiro com sua política de governar para os ricos; porém os estudantes, a juventude e os trabalhadores nunca abaixaram a cabeça para tantos ataques e sempre se mobilizaram muito. Importante lembrar que em 2013 o Rio de Janeiro botou mais de um milhão de pessoas nas ruas gritando “Fora Cabral” e que recentemente o processo de ocupações de escolas do Estado do Rio de Janeiro conseguiu grandes vitórias para a gestão democrática da educação, com o fim do SAERJ, política meritocrática praticada durante grande parte do Governo PMDB, além da conquista de eleições diretas para diretor de escola!
O que faliu o Rio de Janeiro não foi o Passe Livre dos estudantes e nem o reajuste salarial dos servidores públicos, mas sim a política de privilégios para os ricos que o PMDB tem como regra em seus governos; lembremos que também foi o PMDB com toda a corja da Câmara Federal que deu um golpe no país tentando impor um governo ilegítimo de Michel Temer, que não representa a juventude e nem os trabalhadores.
Temos muito que lutar para acabar com essa política de governo para os ricos no Rio de Janeiro e no Brasil. A saída é a luta. Esses governos não resistem a pressão popular organizada, greves, ocupações e muita denúncia. Nós da AERJ nos somamos a todas as lutas dos servidores contra as injustiças do PMDB. Os trabalhadores e a juventude não pagarão pela crise. Não temos nada a temer!






Hoje aconteceu mais uma assembléia dos profissionais de educação do estado do Rio de Janeiro. Nessa assembléia se discutiu sobre os rumos da luta no estado, pós o anuncio do Governador Interino Francisco Dorneles de Estado de Calamidade Pública. Depois de uma discussão saudável e democrática, a grande maioria da assembléia decidiu a continuidade da greve da educação do Rio de Janeiro e um ato com a concentração no Museu do Amanhã que saísse andando pelos trilhos do VLT até a cinelândia.
Em um episódio covarde e de caráter fascista, quando uma companheira da AERJ andava em meio ao ato com nossa bandeira nas costas de surpresa um individuo vestido de preto e encapuzado puxou a bandeira e com muita rapidez há levou para o meio da manifestação. Isso nos causou muita indignação e revolta. Não poder andar tranquilamente no meio de um ato onde todos querem uma educação pública de qualidade é um absurdo e uma atitude além de covarde caráter fascista.
Não nos enganemos que fascista é só quem clama por ditadores na camará federal ou a policia militar que combatemos dia a dia. Devemos debater com a mesma gana discurso e práticas fascistas do nosso meio. Nosso inimigo é essa sociedade falida e essa política que os governantes se dedicam seus dias a construir para aumentar os lucros dos ricos e não quem decidiu se organizar e lutar, porém pensam a tática diferente da nossa. Reprimir que qualquer estudante use uma camisa de entidade ou que hasteie sua bandeira e ideal foram fatos que a ditadura militar fez e que relembrando vários heróis cujo quais falamos muito em nossos discursos como Mariguela, Manoel Lisboa de Moura, Marco Nonato da Fonseca, Olga Benário, Helenira Resende entre outros deram suas vidas pra  combater.
Nós da AERJ não achamos que somos donos da verdade. Construímos um movimento em todo o estado do Rio de Janeiro e nos dedicamos a o máximo a construir o movimento estudantil da melhor forma possível de uma forma independente de governo e combativa. Construímos grêmios, fazemos manifestações, ocupamos escolas e sempre estivemos presentes na luta ao lado dos professores e nunca nos negamos a debater de uma forma tranquila com quem discordasse da nossa prática e atuação. Entendemos que esse fato é marcante pois ninguém em momento nenhum questionou nossa participação no ato e numa ação baixa, que lembra atitudes da PM quando assassina jovens negros na favela pelo simples fato de serem negros e pobres  fomos julgados pelo simples fato de nos organizarmos para lutar. Esse fato é simbólico para o movimento estudantil e que tem que nos fazer refletir. Além de termos poucas bandeiras e só quem milita cotidianamente sabe o quanto suamos para ter cada uma delas, atitudes como essa não somam em nada para um movimento combativo e conseguente e sim para rinchas do movimento estudantil e fortalece um discurso de ódio contra quem não é nosso inimigo real.
Nossa resposta é nas ruas e em organização. Nosso trabalho só cresce em todo o estado e caminhamos para organizar o maior congresso de estudantes do Rio de Janeiro. Hoje somos centenas de jovens no Rio de muitas etnias, orientações sexuais, cidades e opiniões. Nosso consenso é compartilhar o  sonho de construir uma escola e educação com a nossa cara e uma sociedade justa.
Os cães ladram em quanto a caravana passa!
A nossa luta é todo dia!
Fascistas não passarão!
A AERJ somos nós!
           O processo das ocupações do Rio de Janeiro foi um marco da luta secundarista do Rio de Janeiro. Desde as ocupações de São Paulo esse movimento tem crescido bastante e ganhado uma proporção e adesão sem igual. No Rio esse processo começou muito parecido com a "Revolta dos Pinguins" no Chile. Depois de mais de 300 manifestações na porta de escolas estaduais as ocupações começam. Porém só se massificam a partir do dia 8 de abril quando os estudantes decidiram ocupar o Colégio Estadual Chico Anysio, a menina dos olhos da SEEDUC, uma escola onde se incentiva "Protagonismo Juvenil" porém quando os estudantes foram botar o tal "protagonismo" em prática foram duramente reprimidos e logo o ocuparam sua escola.
           O processo se desenrolou e chegou a mais de 70 escolas ocupadas em todo o estado.
           Em meio a mobilização houveram iniciativas de se formar um espaço coletivo que representasse todas as ocupações. Porém devido a falta de habilidade e amadurecimento político de algumas entidades estudantis e comportamentos hora fascistas, hora oportunistas de alguns estudantes e professores denominados "independentes" a dificuldade para a conformação desse espaço foi grande.
           O comando das ocupações deliberou coisas importantes, desde o trancaço em todo estado das escolas ocupadas até a ocupação na SEEDUC para conseguir diálogo com o secretário de educação Antônio Netto.
           Depois de compromisso do Secretário com o fim do SAERJ e da coleira eletrônica além da eleição direta pra diretor no início de 2017 e nas escolas ocupadas em 40 dias após a desocupação com a pressão dos estudantes o movimento se fez vitorioso e em menos de uma semana aconteceu a votação do projeto de Eleição Direta para diretor de escola na ALERJ passando por humanidade.
           Pós isso estava dada a maior vitória do movimento secundarista do Rio de Janeiro pós a conquista do passe livre. Porém vários setores insistiam em dizer que essa vitória não significava nada.
           Pós isso muitas coisas aconteceram. O governo do estado bota um verdadeiro "bode na sala" nomeando para Secretário de Educação o Presidente da FAETEC Wagner Victer para atrasar as negociações que já estavam bem encaminhadas. Além disso o comando das ocupações começa a perder sua legitimidade e ter posicionamentos arbitrários de não deixar integrantes de Entidades estudantis participarem de suas reuniões e estudantes de escolas ocupadas usarem adesivos e blusas de suas respectivas entidades e movimentos além de ameaças machistas por parte de alguns integrantes do comando para com as companheiras da AERJ.
           Na reta final das ocupações vimos a Juíza responsável por mediar o caso decidir que as ocupações podem continuar porém não pode impedir as aulas num tom arbitrário e de tentar esfriar o movimento das ocupações.
           Antes mesmo disso acontecer com todo o desgaste do tempo, movimento desocupa e entendendo que o movimento foi vitorioso como poucos que já aconteceram no estado e agora nos cabe continuar cobrando o governo do estado para cumprir suas promessas várias escolas ocupadas decidem desocupar com um importante saúde vitorioso.
           A AERJ acredita que esse movimento foi uma verdadeira aula de cidadania para todos que viveram e a acompanharam o processo das ocupações. Vivência coletiva, desconstrução de preconceitos, inúmeros debates e a construção da escola que queremos não é pouca coisa nesse momento da história onde se ameaça a frágil democracia que vivemos.
           O processo das ocupações foi muito vitorioso e vai deixar de herança toda uma geração de jovens que nunca mais vão ser os mesmos nas salas de aula, em casa, nas universidades e nos espaços de trabalho.
           A juventude tem um potencial de mudança que nenhum teórico conseguiu dimensionar até hoje. Nós somos peça essencial na construção de uma sociedade mais justa.
           Nosso saldo de crescimento é imenso, tanto politicamente quanto numericamente. A entidade que diz que saiu desse processo sem aprender nada e sem nenhuma autocrítica pra fazer vive alheia a realidade é não entendi a importância da papel de transformação social do movimento estudantil.
           A luta avança e a AERJ só cresce, com muitos jovens estudantes que decidiram se organizar e vale destacar que grande maioria dessa juventude é de mulheres, negros e LGBTs que são as principais vítimas dessa sociedade.

           A AERJ somos nós!







Muita gente tem se perguntado e questionado bastante porque o movimento de ocupação das escolas estaduais do Rio de janeiro tem ganhado tanto corpo, apoio e tem incomodado tanto a Secretaria de Educação e o Governo Estadual. No fim de 2015 quando explodiram as ocupações no Estado de São Paulo contra o projeto de Reorganização do Alckmin muita coisa ficou evidente e se descobriu nesse processo. A primeira delas é o descaso dos governos com a educação pública, um direito conquistado do povo brasileiro. Hoje temos escolas caindo aos pedaços de norte a sul do pais, professores desvalorizados com materiais pré históricos ao mesmo momento que vemos as assembleias legislativas e câmaras de vereadores com estruturas colossais e grande parte dos filhos de parlamentares estudarem em escolas privadas.



"Entender a escola como um espaço de formação de seres humanos e não de maquinas é um tapa na cara do quem quer usar a educação como negócio."

Outra coisa muito importante que se desenvolveu nesse período de ocupações e que cresce a cada momento é o de pertencimento dos estudantes ao que é seu, no caso a escola. Quando estudantes ocupam uma escola e fazem dela um espaço agradável e que de fato os estudantes queiram ficar por ali e viver aquela realidade, isso é uma grande revolução que não interessa aos poderosos. Entender a escola como um espaço de formação de seres humanos e não de maquinas é um tapa na cara do quem quer usar a educação como negócio.
Hoje os jovens ocupam suas escolas, universidades, assembleias legislativas e sedes de governos autoritários com muitas pautas e um só sentimento, de construir uma sociedade diferente onde a juventude seja levada a sério e o lucro não venha antes da vida. Em junho de 2013 a juventude tomou as ruas por mais direitos de um jeito que o Brasil nunca tinha visto e hoje o mesmo sentimento está nos corações e mentes da estudantada do Rio de Janeiro e do Brasil.




A ocupação trata da mesma forma desde o aluno mais bagunceiro até o mais “nerd”. Todos eles passam a ser construtores de um mesmo espaço. Fato que na ocorre quando na gestão da escola a democracia não prevalece. Como no caso das escolas estaduais do Rio de janeiro onde os estudantes mesmo sendo mais de 80% da escola sequer podiam votar no diretor da unidade escolas.
As ocupações vieram não só pra conquistar vitórias reais para o movimento mais também para dar uma aula de cidadania a toda essa juventude que tem o privilégio de viver esse momento e um ponto final na política de mercantilização da educação e na meritocracia do estado que só pensa em maquear resultados.



As entidades estudantis sempre tiveram um grande papel nas mobilizações da juventude do pais. Mais um papel diferente do que cumprem hoje. Hoje grande parte das entidades estudantis vivem a reboque da estudantada e sofrem de um grande vicio pois não conseguem entender que o estudante se sente construtor de algo quando verdadeiramente ele pode construir e ter voz nesses espaços. Hoje nós da AERJ temos muito orgulho de crescer a cada dia mais nesse momento histórico. Hoje a AERJ se coloca como alternativa para os estudantes do Rio de janeiro de construir um movimento estudantil democrático e com a nossa cara, sem tutela de ninguém, sem aparelhamento mais com muito movimentos estudantil na base e com muitos sonhos. Pois sonho que se sonha junto vira realidade.
Viva a juventude secundarista que quer tomar seu futuro nas mãos! Organize sua rebeldia!
A AERJ somos nós!
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Hoje, dia 28 de março de 2016 faz 48 anos da morte do estudante secundarista brasileiro, Edson Luís de Lima Souto, assassinado brutalmente pela ditadura militar em 1968. Ele foi morto por policiais militares enquanto organizava uma passeata-relâmpago contra a alta do preço da comida do restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro. Sua morte gerou grandes mobilizações contra o regime militar.



Edson Luís, nasceu em Belém, no Pará. E se mudou para o Rio de Janeiro para concluir seu segundo grau, mais conhecido hoje como ensino médio no Instituto Cooperativo de Ensino, que funcionava no restaurante Calabouço. 


Mesmo após sua morte, Edson Luís, um guerreiro do movimento estudantil, vive em cada um(a) de nós. Ele está presente em cada estudante secundarista. E é por isso que hoje, após 48 anos de sua morte, a AERJ - Associação dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro presta homenagem à Edson Luís, e todos(a) seus(suas) camaradas que lutaram contra o fechamento do restaurante Calabouço, por um educação pública de qualidade e principalmente pelo fim do regime militar no Brasil.
Edson Luís, presente! Hoje e sempre!




Caroline Reis,
Militante da AERJ em Duque de Caxias

Depois de um combativo ato dos estudantes de Itaperuna que ocuparam a prefeitura, não poderia vir nada além de muitas conquistas! - Os cartões serão recarregadas - Os estudantes que moram longe ganharão direito a pegar mais ônibus - O ônibus irá na porta do IFF - A rua do IFF será pavimentada acabando com o problema e bem iluminada - Os novos alunos receberão o passe no primeiro dia - Transparência nos gastos das prefeitura com a empresa de ônibus - Os horários de ônibus serão ampliados para os alunos do período noturno E ainda, na quarta-feira, os estudantes organizados pela AERJ levarão o projeto de passe livre todo o dia e ilimitado para a Câmara dos vereadores. Só com luta se conquista!
                Hoje, 22/02, ocorreu o “abraçaço” FAETEC em diversas unidades da rede onde os estudantes de cada unidade se uniram com seus grêmios para protestar por melhores condições de ensino, cada uma a sua maneira. Os estudantes sentiram a necessidade de se fazerem ouvir, pois chegaram à conclusão de que não poderiam mais esperar de braços cruzados as coisas melhorarem.
A precarização da FAETEC é cada vez maior: dois anos após a copa do mundo e com as olimpíadas se aproximando, a população do Estado do Rio de Janeiro começa a sentir a falta que faz o dinheiro que foi investido em eventos esportivos ao invés de melhorias na saúde, educação e segurança pública. Usando a desculpa de crise econômica o governo do estado faz diversos cortes em todos os setores públicos administrados por ele, e a FAETEC não é exceção. 
                Dentre as medidas que prejudicam a comunidade FAETEC (professores, alunos, funcionários, etc.) podemos citar o não pagamento do salário dos terceirizados durante 3 meses (novembro, dezembro, janeiro), a falta de merenda nas unidades, em algumas não há merenda, em outras o almoço são as sobras do dia anterior, em outras o almoço de sábado foi cortado. E a escassez do repasse de verbas é tão grande que os professores e funcionários das escolas foram PROIBIDOS de almoçar. Há diversos outros problemas referentes ao corte de verbas, como a redução do número de turmas e o superlotamento das mesmas, fazendo com que haja professores sobrando nas escolas (excedentes) mesmo as escolas necessitando deles. 
                Outro problema dos problemas excedentes é a realocação que haverá destes, fazendo com que não haja mais projetos extracurriculares nos colégios, como Robótica, teatro, musica, xadrez, etc. que são super importantes para a formação do aluno não só como técnico mas também como cidadão. Diante dessas questões, os estudantes da FAETEC se organizaram e decretaram que o dia 22/02 seria o dia de apoio e solidariedade a rede, um dia para “abraçar” a escola e mostrar o quanto essa instituição é importante para nós e o quanto a sua precarização nos prejudica. Segue abaixo o que cada escola fez no dia de abraço à FAETEC:

                E.T.E Ferreira Viana: Os estudantes da ETEFV fizeram um mutirão cartazes de apoio à rede durante 3 dias que foram exibidos hoje. Depois do almoço, foram feitas entrevistas e uma roda com vários estudantes e professores, lotando o pátio, em que representantes do grêmio e da AERJ falaram da importância de se saber do que está acontecendo com a FAETEC e as consequências disso, falando que esse é só o começo e que é essencial que todos se unam pra mudar essa realidade de cortes, puxando palavras de ordem, como:
VAI TREMER, VAI TREMER
A ETEFEV VAI TREMER
PORQUE A GENTE QUER ESTUDAR
E NÃO TEM NADA PRA COMER

                E.T.E Juscelino Kubitschek: O ato, que começou por volta das 10h, reuniu diversos alunos da instituição; calouros, veteranos e professores participaram de um debate onde foi discutida a situação o estado de calamidade das nossas e das outras instituições. Segundo Thiago Percides, que estuda turismo no JK, foi lindo, todas as partes opinaram e o debate fluiu perfeitamente. Depois do almoço, os estudantes se reuniram no pátio da escola, onde ocorreram jograis e palavras de ordem, após isso, deram um "abraço" na escola e encerraram cantando o hino nacional.

                E.T.E República: Os alunos da maior unidade da FAETEC e também sede da rede fizeram um cordão em volta da escola, com professores e funcionários. Depois seguiram em direção a presidência da rede, onde fizeram um ato.

                E.T.E Oscar Tenório e E.T.E Visconde de Mauá: As FAETEC de Marechal fizeram um abraçaço em conjunto em volta da escola pra dar mais força a manifestação. Seguido de uma passeata até a praça de Marechal.

                E.T.E Henrique Lage: Os estudantes da FAETEC de Niterói se uniram a professores e funcionários pra fazer um cordão em volta da escola. Depois os estudantes se dirigiram ao centro de Niterói em passeata contra os cortes de verba da FAETEC.

Nathalia Alcáçova 

Diretora de Escolas Técnicas da AERJ

Pedro Moura 

Diretor do Grêmio do Ferreira Viana


O carnaval já acabou e o ano letivo de 2015 ainda não foi concluído.
No ano passado a categoria dos professores começou a ser bombardeada pelo governo, ataques diretos aos direitos dos trabalhadores, que ficaram por meses sem os seus salários, retiradas de direitos trabalhistas. No entanto mobilizações foram feitas pelo sindicato, juntamente a AERJ onde ocupamos ruas da cidade, ocupamos a prefeitura municipal de Cabo Frio por uma semana, questionamos incansavelmente a falta de verba para a educação.
Os salários são atrasados, o décimo dos profissionais foram os únicos a serem parcelados em cinco vezes e ainda nada foi resolvido. O ano não foi concluído, não por má vontade dos professores, a categoria mostrou transparência durante toda a greve, que já se estende por dois meses e quatro dias. 
Pedimos a compreensão dos pais de alunos, e que se juntem a essa luta para mostrarmos o apoio aos profissionais da educação. Precisamos da organização e da pressão dos trabalhadores, pais, alunos, para conseguirmos todos os direitos que hoje em dia são dados de forma incompleta.
Analisemos a educação de baixa qualidade, incapaz de atender às características de cada lugar, longe de atender as demandas profissionalizantes e, somado a isso, os profissionais mal tratados. Como essa educação precária pode mudar a vida de um povo?


Chantal Campello
Militante da AERJ Região dos Lagos

Observação: A AERJ se solidariza com a greve dos profissionais da educação de Cabo Frio e apóia a decisão do SEPE Lagos de manter a greve enquanto seus direitos não forem respeitados. Somos contra a manifestação que está sendo puxada por apoiadores do governo de Cabo Frio contra os grevistas e consideramos essa manifestação um ataque aos direitos dos trabalhadores e alunos que lutam por uma educação de qualidade!



Estamos às vésperas de uma das maiores festas do ano no Brasil. São dias de samba,de pagode, sertanejo, funk e tudo que tiver de mais animado. São dias de serpentina,máscaras, confetes, muito brilho, luzes e fantasia. O carnaval é uma das melhores épocas do ano pra quem gosta de festejar.

Infelizmente durante essa época do ano as mulheres sentem na pele uma violência ainda mais intensificada do que no resto do ano. Sabemos que no nosso país a violência contra as mulheres é frequente, naturalizada e mascarada, uma vez que as grandes mídias não mostram a real situação das mulheres no dia-a-dia do nosso país. Durante o carnaval é inegável que essa violência exista. O povo está todo concentrado em algumas partes da cidade para um mesmo evento e o número de mulheres vítimas é alto o suficiente para ser praticamente impossível passar um dia fora de casa sem ver ou sofrer algum tipo de abuso e violência, seja ela moral, física ou psicológica.

O número de estupros é ainda maior nesse período do ano, os machistas se sentem no direito de abusar das mulheres que estão na folia e tentam botar a culpa nas roupas que vestem ou na bebida alcoólica que elas consumiram – e por outra vez, a bebida também é usada para justificar a violência cometida pelo homem bêbado. Ou seja, a mesma bebida que justifica a violência do homem, condena a mulher pela violência sofrida.

Por isso é necessário fazer desse momento mais um momento de combate ao machismo, divulgando o 180 (telefone para denúncias de violência contra a mulher), ajudando-as mulheres que estão passando por alguma situação de machismo e aos homens cabe também ser conscientes e não assediar mulheres. A festa é pública! O corpo delas não! Com copo ou sem copo na mão, sim é sim e não é não

Texto:Rafaela Corrêa
Secretária Geral da AERJ
Dia 14 de dezembro, final do ano de 2015, o movimento social do Rio de Janeiro perdeu um dos seus maiores iônicos personagens; Sérgio Luiz Santos das Dores. Faleceu na sala vermelha da UTI após uma infecção que se tornou generalizada. Integrante de todas as ocupações de rua da Cinelândia centro do Rio nos últimos vinte anos. Era pensionista federal do IBGE, entretanto vivia nas ruas em condições precárias. Era também um conhecido frequentador do restaurante Amarelinho em dias de chuva, desde o início dos anos 90, e vivia nas ruas por cerca de 30 anos após se aposentar por invalidez. Essa informação era desconhecida e ele jamais recebeu o valor de cerca de 5.600$ de sua pensão, sobrevivendo de uma simples aposentadoria no INSS.


Participou da ocupação "Mata Mosquito" ocorrida na Cinelândia no segundo governo de FHC em 1999, realizada por trabalhadores da SUCAM. Os guerreiros e apoiadores, dentre eles o Presidente, ficaram na Praça da Cinelândia por mais de um ano após serem demitidos no segundo governo de FHC. Ao fim da luta política, conseguiram a readmissão numa inesquecível vitória do movimento popular. Naquele momento, o Presidente - que ainda era chamado de Serginho por seus colegas de sindicato do IBGE - demonstrava sua inteligência e autoridade moral. Sempre respeitado pelos ocupantes, ganhou o carinho de todos e passou a ser um membro contínuo e efetivo da mobilização. Participou também no Ocupa Rio e nos Movimentos pré - Jornada de Junho, fato que lhe deu notoriedade política. "Ocupa Rio", foi uma mobilização dos movimentos autônomos cariocas em 2011. A partir daí essa figura do povo passou a andar com jovens ativistas que lutavam por causas muito além das defendidas pelo espectro político - partidário da sociedade fluminense.

Durante o Ocupa Rio que Sérgio passou a ser chamado de Presidente por causa de suas contundentes e divertidas falas com sua voz fanha e charmosa nas Assembléias do movimento. Mesmo vivendo de forma precária e sendo vítima de preconceito e violência por parte dos agentes do Estado, ele não fraquejou em sua luta pelas causas pré-junho. Esteve presente nos atos de apoio a Aldeia Maracanã na Cinelândia, deu depoimentos para os vídeos do cineastra e repórter do Jornal A Nova Democracia, Patrick Granja e também teve presença no importante evento "Ocupa dos Povos", das nações americanas originárias na área central da cidade. A desocupação da Aldeia Maracanã, a implantação das UPP's, as remoções para as obras do governo sem remuneração ou consideração para os moradores moradores periféricos, o sumiço do pedreiro preto Amarildo pela PMRJ e outros diversos fatores que levaram o povo a uma situação de extrema carestia.

Desse cenário distópico surgiram vários processos de resistência que desaguaram nas ocupações do espaço urbano . O Ocupa Cabral em frente a casa do ex-governador e o Ocupa Câmara que mais se destacaram. Nos acontecimentos da Cinelândia o Presidente teve papel de destaque. Desde a primeira tentativa de ocupação, ele aguarda do lado de fora, e no meio da madrugada em que houve a expulsão, ele estava lá participando ativamente, disponibilizando seu companheirismo e ombro amigo para cada ativista retirado da "casa do povo". Mais a frente se tornou um resiliente, divertido e inspirador companheiro nos dias e noites do Ocupa Câmara, criador de uma série de bordões. Esteve presente nas manifestações estudantis contra a restrição da meia entrada aprovada esse ano pela UBES. Sempre foi amigo dos estudantes, presente nos atos com seu espírito jovem e combativo, bem humorado e disposto.

Teve participações artísticas nos diversos coletivos independentes que surgiram pelo Ocupa Câmara, inicialmente repetindo nos vídeos de mídia ativista seu famoso jargão "Quer uma palavra de consolo? Foda-se a Copa!". Durante as jornadas dos professores em outubro participou de trabalhos com o Coletivo Mariachi. Daí em diante, atuou no coletivo Baratox em performances na Câmara, em sessões de fotos e intervenções no Atelier de Dissidências Criativas da Casa Nuvem, culminado com seu lindo desempenho no vídeo da festa de natal do Ocupa Câmara (destruído dois meses antes) "Mais Amor, Menos Capital". Nesse trabalho dirigido por Deo Luiz, ele se fantasiou de Penélope Charmosa, num claro apoio a comunidade LGBT, e também representou o personagem Phoder Público, uma paródia  em cima de políticos tupiniquins.

Nos últimos dias desse grande revolucionário, ele dormia na casa de ativistas ou mesmo no espaço coletivo da Casa Nuvem, porém só ficava dois ou três dias, sempre voltava por vontade própria para a dureza de viver na Cinelândia. Acabava sendo constantemente reprimido pelos manganos do Lapa Presente e outras aberrações repressoras do Estado, como os agentes da Secretária de Ordem Pública e da Secretaria de Serviço Social . A dura vida na rua e os anos de juventude bem vívidos cobraram um preço alto desse grande homem. Ao passar mal e ser levado pelo Samu para o UPA onde foi inicialmente mal atendido, fato que mudou após a pressão de um grupo de ativistas, Comandante legítimo da Cinelândia, herói do movimento carioca e irmão mais velho de todos não resistiu, deixando órfãos toda uma geração de jovens artistas, estudantes e militantes da causa popular. Seu velório ocorreu dia 16/12/2015 na Câmara Municipal do Rio, na Cinelândia às 9hs da manhã.

Foi uma honra pra AERJ ter convivido com esse grande revolucionário, que deu apoio não só ao Movimento Estudantil, mas a todas as bandeiras populares que estiveram nas ruas contra o Capital e as incontáveis repressões do Estado sobre a população fluminense. Viveu até os últimos dias de vida sem desacreditar em mudanças e melhorias através da luta.

 "Uma  incelença entrou no paraíso,
  Uma incelença entrou no paraíso,
  Adeus! Irmão adeus, até o dia de juízo.
  Adeus! Irmão adeus, até o dia de juízo"
(Suíte dos Pescadores - Dorival Caymmi)

Texto: André Miguéis
Colaboração: Carlos Augusto Lima França, Drica Queiroz e Raffaella Moreira
Revisão: Roger Mcnaugth
E mais uma vez a população sofre com o descaso das grandes empresas. Novamente presenciamos o aumento nas tarifas do ônibus em nossas cidades. Onde somos obrigados a pagar por uma crise que nós não criamos e muito menos sustentamos. Durante todos esses anos, presenciamos a diminuição nas linhas de muitos ônibus, até a extinção de alguns, o surgimento da função dupla para os motoristas, onde eles dirigem e cumprem a função do trocador, colocando em perigo a vida dos passageiros e a própria vida. Junto aos aumentos de tarifa, não foi visto nenhum aumento no salário desses trabalhadores das empresas, mas sim a retirada de muitas dessas funções. Além de não presenciarmos o aumento da frota, não vemos também toda a frota com ar-condicionado, que para um clima como o nosso torna-se necessário. 

Logo podemos presenciar que com todos esses cortes nos gastos, os aumentos acontecem a cada ano que passa, onde a Região dos Lagos sofre com um reajuste de R$4,50 para R$4,95 nas linhas intermunicipais, o que muitas vezes não corresponde ao trajeto feito. Temos também a Baixada Fluminense, que em Duque de Caxias passou a ter o maior número de tarifas para andar dentro do município do país inteiro, sendo 5 preços diferentes, fazendo com que se pague mais caro. Na capital presenciamos um aumento de R$ 3,40 para R$ 3,80, uma alta de 11,7%. O governo estadual também anunciou aumento de 10,2% no valor do Bilhete Único (BU) a partir de 1º de fevereiro, quando passará dos atuais R$ 5,90 a R$ 6,50, para quem usa um meio de transporte intermunicipal e outro municipal, dentro da Região Metropolitana.

Isso faz com que o acesso a cidade se torna cada vez mais caro, excluindo a população de ter acesso a sua própria cidade, principalmente a grande quantidade de famílias de baixa renda, e aí questionamos se o povo realmente tem o direito de ir e vir dentro de sue próprio município, o que não acontece com os culpados pela crise, pois enquanto os políticos contam dólar, o povo conta moedas. Assim perdemos o acesso à cultura, lazer, esportes, e até mesmo ao trabalho e educação. Por isso devemos estar na rua lutando para que mostrar que não compactuamos com esses reajustes, pois buscamos alcançar o Passe Livre para população, onde possam ter acesso a cidade e com um serviço de qualidade, preservando a nossa dignidade.



Cleber Rodrigues
Presidente do Grêmio Síntese - IFF Cabo Frio

Militante da AERJ, FENET e UJR na Região dos Lagos